Câmara articula participação da sociedade civil e prefeitura na construção de novo modelo de transporte
O futuro do Transporte Público de Foz do Iguaçu foi o centro do debate da audiência que discutiu, na última sexta-feira (24 de abril), a possibilidade de novo modelo de serviço para Foz. O debate, além de analisar propostas com entidades do poder público, proporcionou a todos os cidadãos a oportunidade de dar suas sugestões e fazer reivindicações sobre o serviço. A vereadora proponente, Valentina Rocha (PT), conduziu o evento, que foi aberto pelo presidente da Casa, vereador Paulo Debrito (PL). O município e a Fepese estão realizando estudos e pesquisas sobre o novo modelo do serviço para a cidade, o que deve orientar a próxima licitação. Com base nisso, foi requerido que quando a Prefeitura finalizar essa etapa que realize audiências com a participação de parlamentares e sociedade civil para apresentação e discussão da proposta antes do fechamento do edital.
A vereadora Valentina Rocha (PT) ponderou: “A gente precisa não só entender o modelo de transporte, mas também pensar no futuro. Que possamos elevar o nível do debate; temos o compromisso de mudar o transporte. Vamos olhar também para apontamentos que o Tribunal de Contas já fez desde 2022 sobre o transporte de Foz. Já conseguimos algumas conquistas para o TTU, temos denunciado a forma que o transporte tem sido levado nessa administração. Como vamos atingir o caráter de cidade universitária se não conseguimos permitir que ele assista a mais aulas e consiga chegar em casa? Foz carrega um histórico terrível e não podemos medir esforços para melhorar esse ponto e termos avanço de política pública de mobilidade”.
A discussão, que contou com a participação dos vereadores Adnan El Sayed (PSD), Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) e Yasmin Hachem (PT), buscou esclarecer os critérios adotados para a definição de linhas, itinerários, frota e integração modal, além de avaliar se o projeto amplia a cobertura territorial, reduz o tempo de deslocamento e melhora a regularidade do serviço. Outro ponto central é verificar a adequação da frota às normas de acessibilidade, conforto, segurança e sustentabilidade ambiental, bem como discutir os impactos do modelo na tarifa ao usuário e os mecanismos de subsídio e gratuidades.
A vereadora Yasmin Hachem (PT) pontuou: “Já houve proposta de outro terminal, de interligar. Mas o transporte coletivo ser ruim é falta de prioridade, de uma gestão que coloque o transporte como centro da política pública”.
Alcieris Fernandes, presidente do Diretório Central Estudantil da Unioeste, “nosso transporte público é necessário, nosso terminal é um desastre, é sujo, assim como o ônibus que é quente”.
O Vereador Adnan El Sayed (PSD) também ponderou: “Gostaria que esse estudo e essa proposta de novo modelo fossem publicizados antes da audiência pública que a Prefeitura fará. Temos de estar muito atentos para vermos as cláusulas do novo edital, porque o novo contrato deve ser por décadas”.
Maurício Borges, gestor da empresa que hoje opera o transporte em Foz, disse: “A empresa cumpre o contrato. Temos 330 funcionários, 95 ônibus com ar e 10 sem. Estamos sempre abertos a todas as possibilidades; queremos cumprir e respeitar a população. Tudo dentro do contrato está sendo cumprido”.
Robson Lima, presidente da Comissão de Licitação do Foztrans, afirmou: “Esse ano, pela primeira vez, temos 2 milhões de reais para aquisição de novos abrigos/ pontos de ônibus. Esse estudo que foi pauta da audiência foi construído com a participação do Foztrans e técnicos da Fepese”.
Transporte público e direito à cidade
Antonia Silva, formada em Administração Pública e mestranda em Gestão Pública da Unila explicou: “Pesquisei sobre a tarifa zero que é uma política que visa mudar a forma de transporte. O primeiro desafio é como financiar essa política pública. Algumas famílias economizam até 20% da renda quando não precisam custear o transporte público”.
Dados do transporte público atual
Eduardo Cauã Silva Procópio falou na tribuna e expôs dados sobre o transporte atual: “Foz é uma cidade de 300 mil pessoas e tem uma passagem tão cara quanto a de Curitiba. Segundo uma reportagem, 53 mil pessoas usavam o transporte público em 2025. São 530 mil reais por dia, 2 milhões de reais durante a semana, 10 milhões de reais em um mês. Temos hoje 40 linhas ao todo, 34 sem contar as escolares. Precisamos esperar 30, 50 minutos ou uma hora para pegar o ônibus. A aula acaba às 23h, e o ônibus chega às 23h20; ficamos expostos à insegurança no Jardim Universitário. Se a gente não estiver aqui, não tem turista - ele não virá para cidade a um hotel que não tenha trabalhador, por exemplo. É uma empresa que não respeita os funcionários e usuários que pagam esse valor. Quem de fato tem o poder na mão é o Poder Público”.
Sindicato pontua pauta de reivindicação dos trabalhadores do transporte
Rodrigo Andrade de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Foz, destacou: “Até hoje os trabalhadores não conseguiram receber suas verbas rescisórias; não bastasse, ainda veio o contrato emergencial. Nossa greve foi parar no Tribunal Regional do Trabalho, e conseguimos garantir algumas coisas, mas não outros direitos que tínhamos antes. Com o novo edital, o Sindicato protocolou a pauta de reivindicações. A jornada hoje que vem sendo aplicada é abusiva. Precisamos resolver os problemas com a classe trabalhadora para termos transporte de qualidade. O trabalhador não quer fazer greve; só queremos nossos direitos garantidos”.
Fundação de Estudos e Pesquisas Sócioeconômicas (Fepese)
Victor Caldeiras, Engenheiro Civil da Fepese, falou dos estudos que estão sendo feitos para o novo edital e contrato do transporte coletivo. “Nós desenvolvemos as atividades e entregamos ao Foztrans e depois existe uma versão consolidada e aprovada pelo município. Em julho e agosto de 2025, foi apresentado um diagnóstico do sistema - um relatório que dá um retrato do sistema. Em outubro de 2025, com aprovação em dezembro, temos um produto de estruturação do novo sistema. Então foram propostos novos terminais e infraestrutura melhorada dos pontos de parada”.
Geruza Kretzer, Arquiteta e Urbanista da Fepese, também abordou detalhes dos estudos e citou o planejamento de outros terminais, como nos bairros Porto Belo e Três Lagoas, com modelo tronco-alimentador, além de pontos de integração com linhas complementares. “Em breve teremos uma audiência pública específica em que serão apresentados os detalhes da nova licitação para que a população entenda a construção do novo sistema”.
Foztrans
Maxuell Lucena afirmou: “Quando falamos de transporte coletivo, falamos de pessoas: estudantes que precisam chegar à escola, trabalhadores aos seus empregos. Ouvir essas pessoas é muito importante para que possamos trabalhar e construir juntos um novo modelo de transporte”.
Manifestação popular
Maria do Carmo, cidadã, destacou: “Trago aqui minha profunda insatisfação, representando a região de Três Lagoas, Gleba Guarani, Angatuba. A gente fica de 40 minutos à 1 hora esperando o ônibus; demora demais. Mas os motoristas também não tem qualidade de vida, não tem tempo com a família. É uma vergonha o estudante e trabalhador pagar duas passagens quando o terminal seria para integrar o transporte”.
Shirley Felipe, cidadã, afirmou: “eu cheguei em 2017. Usei frequentemente na minha chegada o terminal de transporte. Eu fiquei apavorada porque as pessoas aqui não tinham direito de adoecer porque no local em que elas moravam não passava ônibus, então teriam que pegar um transporte pago”.
Diego Carvalho, usuário do transporte, afirmou: “O Executivo reativou no ano passado o conselho de transporte, mas a sociedade civil não está nele. Quais universidades estão compondo o conselho de transporte? Eu trabalho no Parque Nacional e está cada vez mais difícil chegar lá”.
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